Neste último final de semana, participei do Festival Regenera, em Brasília. Foi uma daquelas experiências que de tão intensa, continua reverberando por dias. Eu me pegava naquele ambiente com uma sensação enorme de gratidão por estar ali, em meio a tantas almas e mentes fantásticas que querem fazer a diferença no mundo.
Ouvi histórias inspiradoras, de gente real, que superou situações-limite: dependência química, acidentes, queimaduras severas, perdas profundas. E o mais impressionante era a leveza com que essas histórias eram compartilhadas.
Comecei a perceber os padrões que se repetiam nessas narrativas. O primeiro deles foi a autoresponsabilidade: em algum momento, cada uma dessas pessoas entendeu que precisava mudar e que essa mudança dependia de uma decisão interna.
O segundo ponto foi a honra à própria história. Sem se vitimizar, sem negar o passado, essas pessoas integram cada capítulo de suas trajetórias como parte do processo.
Também ficou claro o papel fundamental das redes de apoio. Ninguém se reconstrói sozinho. E notei o quanto todos falaram de sacrifício: para mudar, foi preciso abrir mão de hábitos, de crenças que puxam para baixo.
E o que isso tem a ver com o mundo do trabalho?
Negócios são feitos por pessoas, e pessoas reais são seres complexos. Passamos a maior parte dos nossos dias no ambiente de trabalho e, muitas vezes, o vivemos de forma automática, anestesiados das nossas dores e sentimentos.
Precisamos, urgentemente, falar sobre humanidade no ambiente corporativo. Sobre criar relações mais seguras, mais honestas, mais empáticas. Isso não é sobre ser ingênuo; é sobre criar ambientes emocionalmente sustentáveis.
Saí do Festival Regenera com a certeza de que para regenerar precisamos criar uma nova forma de existir: mais consciente, mais conectada, mais comprometida com o todo.
Elana Sousa
Fundadora da Équité. Ex-CFO, MBA IESE. Mentora de liderança feminina consciente há mais de 17 anos de trajetória executiva.