Quando comecei a trabalhar eram poucos os exemplos de liderança feminina que tínhamos. No meu nível, a pirâmide era equilibrada, mas no topo, predominantemente masculina.
Lembro do caso de uma líder próxima. Ela estava cercada de homens. Se dedicava muito à carreira e tinha, declaradamente, o sonho de crescer profissionalmente, chegar até o topo. Ela engravidou no meio da jornada.
Os meses seguintes me chamaram a atenção. Eu percebia que, apesar das mudanças aparentes, havia um esforço tremendo para manter a "normalidade". Era como se a gravidez tivesse que ser ocultada para que o mesmo ritmo de trabalho fosse mantido, até o último dia.
No período da licença maternidade não foi diferente. Percebia um sentimento de culpa, mesmo que oculta, por estar afastada do trabalho e uma urgência no retorno pelo receio de que seu ciclo de promoção seria afetado.
À época eu não tinha uma compreensão clara de tudo isso, apenas a certeza de que aquilo não era certo.
Quando engravidei, foi inevitável reviver essa memória. Hoje eu percebo o quanto o ambiente em que estamos é fundamental nesse processo e como devemos lutar ativamente por uma cultura de maior apoio e humanização do espaço de trabalho.
O apoio de uma colega, a empatia de uma gestora que já passou por isso, o simples ato de normalizar a maternidade no ambiente de trabalho: esses são os novos exemplos que precisamos construir.
A maternidade não pode ser um fardo solitário ou um segredo a ser escondido. É uma fase de transformação que exige flexibilidade, diálogo e, acima de tudo, sororidade.
Que exemplos de apoio e sororidade você tem construído no seu ambiente de trabalho para as mulheres que virão depois de você?
Elana Sousa
Fundadora da Équité. Ex-CFO, MBA IESE. Mentora de liderança feminina consciente há mais de 17 anos de trajetória executiva.